sábado, 26 de março de 2011

Os inimigos da Fé: A “razão”

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. (Romanos 12.1)



Uma das principais diferenças entre o ser humano e os animais é justamente a razão: a nossa capacidade de avaliar, ponderar e julgar ideias, estabelecendo relações lógicas. É essa nossa racionalidade que nos possibilita diferenciarmos, inclusive, o certo do errado.

Em princípio, a razão é de fundamental importância, pois é ela que nos situa no nosso contexto sócio-cultural; é ela que orienta o nosso comportamento no dia-a-dia, nas mais diversas situações que são apresentadas.

A razão, é bom frisarmos, não é contrária à fé; ela nos ajuda a compreendê-la. Existe, contudo, um outro tipo de racionalidade, que se caracteriza não só pela tentativa de explicar tudo do ponto de vista material e concreto, buscando em tudo uma explicação lógica, mas que também despreza completamente uma compreensão espiritual das coisas, bem com a própria existência de Deus. Esse tipo de racionalidade acaba por afastar o homem do seu Criador, pois Ele só pode ser compreendido através da fé.

Como dizia Kierkegarrd, filósofo existencialista protestante: “a fé é um salto no escuro”, ou seja, os desígnios da fé não podem ser plenamente compreendidos pela razão; há situações nas quais o ser humano deve primeiramente crer, para depois, se possível, compreender.

Na vida cristã, é muito clara a supremacia da fé em relação à razão e devemos lembrar que existem dois tipos de fé: a natural e a sobrenatural. A primeira funciona em nós semelhantemente aos nossos cinco sentidos. Ela é o agente estimulante que faz o agricultor plantar as sementes na certeza de uma farta colheita. Sem ela, não poderíamos nem ao menos andar, pois não teríamos a certeza de que nossas pernas suportariam o nosso próprio peso e se moveriam sem que os pés escorregassem no chão.

A fé sobrenatural, apesar de ser um estágio da primeira, é muito diferente dela, pois não atua em função das circunstâncias e só se desenvolve em um mundo totalmente espiritual, não podendo ser analisada do ponto de vista humano e natural. As atitudes do Senhor Jesus durante o Seu ministério terreno são os maiores exemplos disso: todos os Seus milagres e até mesmo as palavras expressavam a realidade dessa fé. Podemos até dizer que Ele era a própria encarnação da fé sobrenatural.

“Respondeu-lhes Jesus: tende fé em Deus. Em verdade vos digo q eu qualquer que disser a este monte: ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito. Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis e tê-lo-eis”. (Mateus 11.22-24).

Podemos, portanto, definir de uma forma bem simples a fé sobrenatural: ela é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem. (Hebreus 11.1).

O Senhor Jesus, entretanto, embora muitos ignorem esse fato, não desprezou a razão, conforme podemos ver no texto de Mateus 22:9, onde o Mestre menciona dois tipos de conhecimento: o das Sagradas Escrituras, claramente identificado com a racionalidade, e o poder de Deus, ou seja, o aspecto espiritual e transcendente que faz com que o ser humano tenha uma espécie diferente de conhecimento de Deus.

“Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”. (Mateus 22:29).

“E não vos conformeis a este mundo, mas transforma-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. (Romanos 12:2).

Muitas vezes as circunstâncias adversas pelas quais uma pessoa pode estar passando apontam para a inexistência de uma solução; tudo ao seu redor parece comprovar que para ela não há mais saída. Pode ser o caso, por exemplo, de uma doença dita incurável pela medicina. A razão, especificamente falando, funcionará como se fosse uma barreira para essa pessoa.

É, no entanto, justamente em momentos como esse e em muitos outros que surgem na nossa vida que precisamos abandonar a razão e viver pela fé. Por mais que as circunstâncias sejam desfavoráveis, precisamos ter a certeza de que em breve a resposta de Deus virá e apagará completamente da nossa memória os dias de dor, sofrimento e angústia.

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