Pode parecer estranho considerar o amor um inimigo da fé. Quando se fala de amor, entretanto, é necessário cuidado para distinguir que tipo de sentimento ou sentimentos estão sendo relacionados. No novo Testamento, por exemplo, três palavras básicas são utilizadas para se referir ao amor: eros, fileo e ágape. A primeira diz respeito ao amor sensual; a segunda, ao amor fraterno e solidário e a terceira ao amor como dom de Deus, completo e eterno.
Na língua portuguesa não há um vocábulo específico para cada uma das situações referentes aos três tipos de amor. Assim, quando falamos em amor, precisamos explicar exatamente o que estamos querendo dizer. De um modo geral, associamos esse sentimento ao querer bem, gostar, apaixonar-se, ter afinidade ou desejar algo ou alguém. É nesse sentido genérico que nos referimos ao amor, mas, por essa falta de especificação, pode confundir os incautos e vir a ser um inimigo da fé.
Em nome do “amor” muitas pessoas se acham no direito de desobedecer a palavra de Deus no que se refere ao cumprimento dos mandamentos e princípios e à manutenção dos valores bíblicos e cristãos. Dizem que se o Senhor as ama, então não estão obrigadas a nada e por outro lado são automaticamente perdoadas de qualquer erro ou mal que tenham praticado.
Outras afirmam que Deus jamais condenará alguém ao inferno ou exercerá qualquer forma de punição para com Seus filhos. O argumento é que o amor de Deus suplanta tudo e perdoa todas as coisas.
Há casos em que as pessoas substituem a fé no Senhor Jesus Cristo para servi-Lo “pelo amor”. Pensam que praticando a caridade (outro nome dado para amor) podem agradar a Deus e se tornarem merecedoras da salvação eterna e de todos os bens que o Altíssimo possa conceder.
Assim, a “religião do amor” tem substituído a prática da fé. Esta sim, a verdadeira expressão que caracteriza a relação entre homem e o Criador.
“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam”. (Hebreus 11.6).
É claro que o amor, na sua expressão mais pura, ágape, vem de Deus, que Se apresenta ao ser humano como sendo o próprio amor:
“Aquele que não ama não conhece a Deus: porque Deus é amor”. (I João 4.8).
O amor mal interpretado, todavia, pode anular os princípios mais elementares da fé cristã, como a obediência, o sacrifício, a renúncia, a determinação e a santificação. Esta última, por exemplo, exige a disposição constante de lutar diurnamente e contra todas as forças do diabo a fim de se considerar digno diante de Deus.
É necessários muita luta e esforço para que a pessoa abandone pecados e hábitos antigos ligados à sua velha natureza. É uma luta feroz contra si mesmo, contra o mundo e contra o diabo. Segue-se a isso a determinação de renunciar aos prazeres e desejos, até mesmo naturais, a fim de se dedicar ao serviço cristão. Essas coisas não são fáceis de serem colocadas em prática e envolvem a luta diária contra as potestades e as forças do mal.
O perigo é que muita gente se esquece que a vida é uma guerra de muitas batalhas e fica confiando em uma espécie de amor divino no qual todas as coisas venham “cair do céu”, doadas milagrosa e maravilhosamente por Deus por causa do Seu excelso amor.
Muitas vezes ainda o amor, para algumas pessoas, comporta ciúmes, soberba, inveja, vanglória, interesses pessoais, suspeitas e maus pensamentos, dentre outras coisas. É como se tudo fosse válido em nome do amor. Existe até um adágio popular que se refere especificamente a isso: “no amor e na guerra, vale tudo”, é o que se costuma dizer no mundo. Mas, a Palavra de Deus nos traz a verdadeira receita do amor verdadeiro em 1ª Coríntios 13.1-8.
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