Fé, entre outras coisas é certeza ou prova das coisas que não se vêem (Hebreus 11.1). Ora, se é certeza então a dúvida vem a ser um dos maiores oponentes. De fato, uma das grandes preocupações do Senhor Jesus ao ensinar os Seus discípulos era libertá-los da dúvida: “Jesus, porém, respondeu-lhes: “em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: ergue-te e lança-te no mar, isso será feito”. (Mateus 21.21)
Neste texto bíblico, o Senhor Jesus deixa muito claro que em muitas vezes o impedimento para que um milagre possa acontecer não é simplesmente a falta de fé, mas que é possível a dúvida coexistir com a fé.
Ao ouvir a Palavra de Deus, a pessoa fica cheia de fé como acontece quando está no ambiente da igreja, em que a atmosfera espiritual é propícia, pois ali todos estão buscando a presença de Deus; o pastor anuncia a Palavra, os testemunhos confirmam os milagres e podem-se ver pessoas sendo libertadas ali na hora. Entretanto, mesmo ainda possuída dessa fé, na hora de buscar a sua bênção, o diabo atua no coração da pessoa e esta dá lugar à dúvida. Fica pensando: será que vai acontecer comigo? E se for da vontade de Deus que tudo continue como está? Será que Deus realmente pode fazer isso em minha vida? É isso mesmo que a Bíblia diz? A Bíblia é mesmo a Palavra de Deus?
Nessa condição não pode receber a bênção, pois esta, mesmo que Deus transgrida a Sua Palavra, motivado pelo amor e pela misericórdia, não vai lhe acrescentar nada. Digamos que Ele não atente para a dúvida da pessoa e conceda-lhe, por exemplo, a cura para uma enfermidade. É capaz até mesmo dessa pessoa não acreditar que ficou curada ou atribuir essa cura a outros fatores, de acordo com a sua cultura e seus envolvimentos. De que vai lhe adiantar uma cura?
Outras doenças ou problemas surgirão e essa pessoa continuará na mesma situação. Deus não abençoa alguém simplesmente por abençoar. Ele deseja que esta se torne uma nova criatura em todas as áreas da sua vida. Veja o que diz Tiago sobre isso: “... pois o que duvida é semelhante à onda do mar impelida e agitada pelo vento”. (Tiago 1.6).
A Palavra de Deus recomenda que vivamos da fé: “Porque no evangelho é revelada de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: mas o justo viverá da fé”. (Romanos 1.17). Viver da fé, ou pela fé, significa confiar inteiramente em Deus e na Sua Palavra para todos os propósitos da vida.
Assim, se alguém crê que Deus atua na sua vida, se torna uma pessoa intrépida, corajosa, valente e não tem o que temer. Por causa da polêmica causada pelos judaizantes que se diziam cristãos, mas exigiam que os convertidos ao Senhor Jesus continuassem obedecendo leis que proibiam certos alimentos, o apóstolo Paulo, exortando os cristãos de Roma quanto ao que deveriam ou não comer, afirmou: “Mas aquele que tem dúvida, se come, está condenado, porque o que faz não provém da fé: e tudo o que não provém da fé é pecado”. (Romanos 14.23).
Veja como é interessante essa afirmação: “tudo o que não provém da fé é pecado...”.
É claro que a aplicação dessas palavras se dá em termos gerais, e quer dizer que tudo o que não é feito com convicção, com certeza deixa dúvidas, insegurança e preocupação e é pecado. Do ponto de vista cristão significa que todas as coisas devem ser feitas com total confiança em Deus, na certeza de que Sua vontade se cumprirá, haja o que houver.
Dessa forma, se a dúvida é um grande inimigo até mesmo da fé natural, o que dizer da fé espiritual, prática, da verdadeira fé? Daí a preocupação e o conselho de Judas, irmão de Jesus.
“E apiedai-vos de alguns que estão na dúvida...” (Judas 1.22).
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