“Sabendo, contudo que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada”. (Gálatas 2.16).
A justificação do homem, ou seja, o processo por meio do qual o ser humano pode ser considerado justo diante de Deus, se dá naturalmente, pela fé, entretanto, para que este se torne um verdadeiro cristão, há necessidade de que pratique essa fé, e isso acontece por meio das obras que realiza.
Assim, fé e obras são semelhantes a dois remos em um pequeno barco: se usamos apenas um deles, o barco ficará girando em torno de si mesmo, pois só com dois remos funcionando harmoniosamente é que o barco poderá seguir para frente e alcançar o seu destino. A fé necessita das obras para que seja evidenciada e as obras só são válidas quando frutos da fé.
As obras realizadas sem o fundamento da fé, ou sem ser conseqüência desta, não têm valor algum diante de Deus. É possível praticar boas obras pelos mais diversos interesses. É o caso, por exemplo, de políticos que às vezes empreendem grandes campanhas filantrópicas com o único objetivo de se tornarem populares em futuras eleições.
Muitas pessoas praticam boas obras com a finalidade de aparecer, lucrar anunciando seus produtos, conquistar amizades ou passar imagens positivas visando a determinados objetivos.
Muitos cristãos, infelizmente, praticam boas obras com medo de Deus, almejando “ganharem pontos” para a salvação, melhorar seu galardão no Reino dos Céus ou mesmo na tentativa de conquistar determinadas funções dentro da hierarquia religiosa.
O que há de mais perigoso e que transforma as obras em um verdadeiro inimigo da fé é considerá-las como meio mais eficiente para alcançar a salvação. Muitas pessoas se acham merecedoras das bênçãos de Deus pelo simples fato de praticarem boas obras. Uma senhora certa vez nos afirmou que tinha certeza da sua entrada no Reino dos Céus porque se considerava muito bondosa. Interessante é que sua bondade se resumia praticamente em alimentar os gatos que viviam soltos no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Alimentar ou cuidar de animais abandonados, distribuir dinheiro aos pobres e carentes, contribuir para a manutenção de instituições de caridade, como por exemplo asilos e orfanatos e coisas semelhantes a estas são válidas e louváveis; entretanto, nem sempre são produtos da fé e por isso mesmo não garantem o perdão dos pecados cometidos nem a salvação da qual o Senhor Jesus é mediador. “Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, que tem de se gloriar, mas não diante de Deus”. (Romanos 4.2).
O Senhor Jesus prometeu enviar o Espírito Santo aos Seus seguidores. No dia de Pentecostes, Ele foi derramado sobre os discípulos, que se encontravam reunidos no cenáculo.
A ordem do Mestre era que ficassem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos. O Senhor Jesus não exigiu obras ou qualquer outra coisa que não fosse a fé para encher de poder os Seus seguidores.
“Se isto quero saber de vós: Foi por obras da lei que recebeste o Espírito ou pelo ouvir com fé? (Gálatas 3.2).
Existem várias religiões e até mesmo doutrinas com suposta base bíblica a que atribuem às obras a condição de justificar o ser humano, ou seja, considerá-lo justo, sem dívida ou culpa diante de Deus pelo simples fato de praticar o amor ao próximo. O espiritismo, por exemplo, consagra a caridade como único meio de conduzir a alma humana a Deus ou à purificação do espírito na sua caminhada para a perfeição.
O catolicismo romano também atribui excepcional valor à prática das obras. Os “santos”, por exemplos, são canonizados após um longo processo de avaliação das obras praticadas durante sua vida terrena. No imaginário popular as pessoas consideradas boas por aquilo que fizerem nesta vida são aceitas como “santas” e tem lugar garantido no céu.
A Bíblia chama de “obras da lei” as ações praticadas ora por obediência ora por certa religiosidade. Por melhores que sejam essas obras, não tem o aval de Deus. “Onde está logo a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei”. (Romanos 3.28).
Há cristãos que vivem o que podemos chamar de “fideísmo”, ou seja, a fé pela fé. Assim sendo, imaginam que basta crer, orar, jejuar, assistir a reuniões e esperar em Deus que tudo estará resolvido. Não entendem que Deus faz a Sua parte, mas o homem precisa fazer a sua.
Por outro lado, o apóstolo Tiago deixa bem claro que apenas a fé, sem nenhuma prática, o que obviamente consiste em obras, não tem valor algum. As obras têm, portanto, grande valor desde que sejam praticadas como conseqüência da fé.
“Que proveito há, meus irmãos, se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostrarei a minha fé pelas obras”. (Tiago 2.14 17-18).
As obras podem, portanto, ser grandes inimigas da fé, conforme acabamos de demonstrar, quando são usadas para substituí-la no que se refere à salvação e à comunhão com Deus.
“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam”. (Hebreus 11.6).
Nenhum comentário:
Postar um comentário